Distimico ou mal humorado?

Distimico ou mal humorado?

 


O que é que me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!

E é tudo sempre o mesmo, eternamente ...
O mesmo lago plácido, dormente ...
E os dias, sempre os mesmos, a correr ...

 Poema Tédio de Florbela Espanca, em o "Livro de Mágoas"

 

 

          Este trecho do poema de Florbela Espanca ilustra um dos sintomas da chamada Distimia ou mau humor crônico: a insatisfação. A pessoa que sofre de distimia está constantemente insatisfeita e a reclamação é uma atitude constante.

         Normalmente as pessoas confundem distimia que é uma doença, e necessita ser tratada, com mau humor.  A pessoa considerada mal humorada geralmente reclama muito, porém quando o problema já está solucionado cessam as reclamações, já o distimico é aquela pessoa que está constantemente reclamando, mesmo após o problema já ter sido solucionado.  Por conta deste comportamento se torna muito difícil a convivência com a pessoa distimica, no entanto a distimia tem tratamento e pode melhorar e muito a qualidade de vida da pessoa e consequentemente os seus relacionamentos.

         Distimia é uma palavra que vem do grego e significa mau humor. Durante séculos, serviu para caracterizar o sujeito mal-humorado, irritadiço, de personalidade complicada. Atualmente, o termo distimia é empregado para designar um subtipo da depressão.

        A distimia foi reconhecida pela medicina, nos anos 80, como uma forma crônica de depressão, porém com sintomas mais leves.  A pessoa que sofre de uma depressão mais grave fica paralisada, enquanto que o distimico leva uma vida normal, porém sempre de mau humor, sempre reclamando e insatisfeito.O distimico não reclama só dos problemas, tudo para ele se torna um problema, isso porque ele enxerga sempre o lado ruim em todas as situações.

        No entanto, ele não é assim porque quer, normalmente o distimico não aceita que tem uma doença para ele o mau humor é um traço de sua personalidade, ou uma consequência dos problemas que enfrenta. Por conta disso raramente um distimico procura tratamento, ele simplesmente não consegue enxergar seu comportamento como fruto de uma doença, por isso é necessário que as pessoas ao seu redor o estimulem a pedir ajuda.

        Não se deve subestimar a doença, pois o portador tem 30% de risco de desenvolver uma depressão mais grave, tudo isso porque o distimico tende a se isolar.

       

Como reconhecer a distimia?

 

Geralmente a dúvida mais frequente é: quando o mau humor pode ser considerado algo patológico? Normalmente devemos ficar atentos a constância, isto é ter momentos em que estamos mal humorados é normal, mas quando se torna algo constante, devemos começar a prestar atenção.

A distimia é uma forma de depressão crônica, não-episódica, de sintomatologia menos intensa do que as chamadas depressões maiores. Apesar dos sintomas serem muito mais brandos do que nos outros tipos de depressão a cronicidade e a ausência de reconhecimento da doença trazem um prejuízo muito maior a qualidade de vida dos pacientes, do que nos outros tipos de depressão.

Podemos dizer que a distimia é a patologia mais relacionada ao mau humor, trata-se na verdade de um quadro depressivo crônico, porém se caracteriza através do mau humor, chatice, birra, implicância, insatisfação, irritabilidade , muito mais proeminentes do que a tristeza e o estado de desânimo em si, por isso na maioria das vezes é confundido com uma característica pessoal, um modo de ser deixando então de ter o tratamento adequado.

Existe por parte do distimico uma perda de autocrítica em relação à doença, é comum achar que esse é o seu jeito e que sempre foi assim.

Ainda existem muitas controvérsias acerca da distimia e de sua classificação, porém classificações conceituais aparte o que interessa na verdade é que existe tratamento e que este é necessário para que se tenha uma melhor qualidade de vida e de relacionamentos.

A distimia pode iniciar já na infância ou na adolescência e se mantém sintomática a maior parte do tempo, podendo existir períodos não muito longos de estado de humor normal.

Um dos sintomas mais pregnantes é a total falta de tolerância do distimico,intolerância seja com o ambiente; seja com as pessoas, com os acontecimentos, com os objetos, em fim intolerância geral.

Como a sua depressão é crônica e quase contínua a pessoa se torna extremamente sensível aos acontecimentos, reage a eles desproporcionalmente.

“É como se tratasse de uma pessoa alérgica à tudo, só que, ao invés de reagir às coisas do ambiente com crises alérgicas, reagiria aos acontecimentos com mau humor.” (psiqweb-Gballone)

Alguns dos principais sintomas:

·         Melancólicos, depressivos desde a infância ou adolescência.

·         Baixo astral, pessimistas, reclamam demais, são extremamente “encucados”

·         Perfeccionistas que não têm muita tolerância para as imperfeições dos outros.

·         Auto-estima baixa e autocrítica alta.

·         Dificuldade para confraternizarem.

·         Desenvolvimento profissional pode ser prejudicado pela dificuldade de relacionamento com colegas.

·          sarcásticos, niilistas,

·         rabugentos, exigentes e queixosos. (mental help)

Suas principais características são cronicidade dos sintomas de baixa intensidade (por pelo menos dois anos), início insidioso e precoce e curso intermitente e persistente. Pode-se notar que os distimicos se apresentam como pessoas poliqueixosas e insatisfeitas com a vida. Para o distimico as fases difíceis da vida são quase que insuportáveis e vistas sempre com muito sofrimento, sendo constantemente ruminadas, já as fases boas quase passam despercebidas e são esquecidas facilmente.

 

Causas da distimia

       

      A etiologia (causa) da distimia é multifatorial , podendo ser genética, biológica ou psicossociais. Ex: separação dos pais, pais distimicos, família com alta incidência de depressão, relações familiares complicadas, temperamento e fatores de vida.

       

 

Diferença entre a depressão maior e a distimia

       

A depressão maior se caracteriza por ser um episódio agudo (com um curso mais rápido) de depressão, enquanto que a distimia é uma forma crônica, porém mais atenuada de depressão.

A distimia é um estado crônico de depressão, porém enquanto que outros tipos de depressão dificultam a vida social e profissional do indivíduo, no sentido de que este sente muita dificuldade para sair, trabalhar e exercer suas funções corriqueiras, o distimico exerce normalmente as suas funções, não deixa de realizá-las, no entanto não encontra satisfação em nada.

       

Tratamento da distimia

 

        Em geral é tratada com uma junção de psicoterapia e tratamento farmacológico, quando necessário. Como a distimia afeta profundamente os relacionamentos interpessoais e familiares, em alguns casos é necessária também a terapia familiar. Geralmente a primeira fase do tratamento consiste em aliviar os sintomas da depressão, visto que devido a sua cronicidade, causam efeitos devastadores tanto nos relacionamentos como na questão funcional do paciente. Após essa fase inicial de eliminação dos sintomas, o paciente começa a perceber como agia de modo disfuncional, e passa a entender então os benefícios da terapia. Uma das coisas mais importantes no tratamento de pessoas deprimidas é fazê-los notar que a sua visão de mundo é distorcida e ajudá-los a encontrar prazer na vida.

       

Os transtornos depressivos são considerados um grande problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde. Se não tratados trazem grande prejuízo a vida social e funcional do indivíduo.

 

Este texto possui apenas um caráter informativo, caso seja necessário procure avaliação de um especialista.

Por: Ana Lúcia Lima Terapeuta cognitivo-comportamental e arteterapeuta.

Blog: http://terapiaesaude.blogspot.com

 

 

 

 

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