
Alterações no sistema imune têm sido correlacionadas a muitos fatores como suporte social, estilos cognitivos de comportamento e pensamento. É sabido que esses efeitos são mediados em parte por determinadas regiões do cérebro, tais como a córtex pré-frontal dorso-lateral (DLPC) e a pré-frontal ventromedial (VMPFC), que estão intimamente relacionadas a estruturas da amígdala e do sistema límbico, conectando-se diretamente ao hipotálamo.
Durante uma situação de estresse, há, no hipotálamo, liberação do precursor do hormônio adrenocorticotrófico (CRH), que libera esse hormônio, o ACTH , na glândula pituitária, que estimula as glândulas supra-renais a produzirem o cortisol. Uma outra via pode ser ativada pelo hipotálamo, a via do lócus coerelius, que conecta-se com as glândulas inervadas pelo sistema simpático, onde o estímulo estressante pode deteminar a liberação de adrenalina e nor adrenalina. Outras vias, estimuladas durante o estresse, podem levar a estimulação parassimpática a periferia.
Todas essas alterações afetam o sistema imune, atingindo a medula óssea, timo, baço, linfonodos, etc., além dos receptores sensíveis ao cortisol que existem na amígdala e hipocampo, redutores dos níveis de CRH e de ACTH.
Não é difícil entender que nossas emoções, nossos relacionamentos podem interagir com o nosso sistema imune. Um grande número de estudos tem sido feito e demonstrado que existe uma relação entre o estado mental espiritual e o sistema imune. Kielcolt e cols estudaram 90 recém casados que tiveram uma discussão entre si de 30 minutos. Se havia um comportamento hostil entre eles, ocorria uma diminuição da atividade das Non Killer uma fraca resposta monoclinal a duas mitoses, fraca resposta proliferativa de anticorpos anti receptores T3, um grande aumento de Linocitos T e helper T, e aumento da titulação de anticorpos antivírus Epestein — Barr. Essas alterações são indicativas de baixa regulação do sitema imune.
Havia, também, um aumento da pressão arterial desse grupo. Esse estudo mostrou que a raiva e o ódio podem alterar o sistema imune e a pressão arterial.
Existem inúmeros estudos que correlacionam o câncer com o stress psicossocial.Prigerson, em 1997,selecionou 150 homens viúvos. Os indivíduos que apresentavam altos scores de GRIEF tinham uma grande possibilidade de desenvolver câncer entre o sexto e o décimo quinto mês de viuvez. Todos os pacientes que desenvolveram câncer tinham um alto score de grief.
Everson et al (1996) realizaram estudo com 2400 homens de média idade por um período de 6 anos. 174 morreram de câncer e 87 de doença cardíaca. Os que tinham altos níveis de desesperança tinham de 2 a 3 vezes mais probabilidade de desenvolver câncer e doença cardíaca em relação àqueles que não tinham falta de esperança. Os grupos foram ajustados para pressão arterial, colesterol, tabagismo, etilismo, classe social, educação e história de depressão anterior e isolamento social.
Uchino et al (1996), revisaram 81 estudos sobre o efeito do suporte social sobre a saúde. Nessa revisão, notou-se que o alto suporte social estava associado a altos níveis de imunidade. Havia, também, aumento da estabilidade do sistema cardiovascular e redução dos níveis de cortisol.
Koenig et al (1997) mediram os níveis de interleucina 6 de uma população de mais de 65 anos. Numa população normal espera-se não encontrar níveis de interleucina 6, sendo essa medida um índice de funcionamento do sistema imune.
Baixos níveis de interleucina 6 foram encontrados em indivíduos que freqüentavam a igreja pelo menos uma vez por semana, sugerindo o efeito benéfico da prática religiosa. Altos níveis de interleucina 6 estão relacionados com câncer, infarto do miocárdio, hipertensão, Alzheimer, osteoporose e artrite reumatóide.
Luecken et al (2005), medindo os níveis de cortisol de estudantes, notaram significativa relação entre religiosidade/espiritualidade, freqüência a cultos religiosos, momentos de orações com níveis menores de pressão arterial. Os resultados sugerem que indivíduos que têm religiosidade/espiritualidade podem possuir mecanismos de adaptação ao estresse mais eficazes do que os não religiosos.
O poder da compaixão e do perdão como efeito positivo sobre o sistema imune foi observado por McClelland et al (1998) Ele estudou 70 estudantes que foram assistir a um filme de Madre Teresa de Calcutá e comparou com outros 62, que assistiram a um sobre o triunfo dos aliados na II Grande Guerra. Foram dosadas as imunoglobulinas A salivares (IgA) nos dois grupos.
Os resultados mostraram que havia aumento significativo da IgA salivar nos estudantes que assistiram ao filme de Madre Tereza em relação ao grupo que viu o filme de guerra. Eles sugerem que há uma ativação positiva do sistema imune. Em um segundo estudo feito, medindo-se os efeitos da visualização das curas de Madre Teresa, mostrou aumento da IgA e regulação positiva do sistema imune.
Estes estudos sugerem que emoções positivas, como a compaixão, o perdão e o amor fraternal, podem exercer um efeito benéfico sobre o sistema imune. Crenças sociais, religiosas e espirituais, quando bem aplicadas,podem levar a um aumento da capacidade do nosso sistema imune, reduzindo ou até erradicando um grande número de doenças.
Roque Marcos Savioli





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