Qual a taxa de glicemia de jejum considerada normal?

Entrevista com o endocrinologista Antônio Carlos Lerário, da SBD

O índice de glicemia de jejum considerado normal, que era de até 110 mg/dl, foi reduzido, há alguns anos, para 100 mg/dl pela  American Diabetes Association (ADA). No Brasil, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) também adota o patamar de 100 mg/dl como o nível máximo para a normalidade glicêmica.

Antônio Carlos Lerário – “O critério para o diagnóstico de diabetes sempre foi complicado. Uma reunião internacional estabeleceu em 1997 o índice de normalidade para a glicemia até 110 mg/dl, o que foi homologado pela OMS em 2000. A SBD utilizou os números aprovados pela OMS e posteriormente a ADA e instituições européias adotaram novos critérios, estabelecendo o patamar de 100 mg/dl.

O Brasil segue a tendência internacional e por isso os especialistas adotaram o índice de 100 mg/dl como patamar máximo de normalidade da glicemia de jejum. O último consenso da SBD foi finalizado em 2003 e a redução dos patamares de normalidade só aconteceu em 2004. Houve, portanto, uma defasagem nos índices no Brasil porque o consenso da SBD ainda estava sendo atualizado. Apesar disso, fazemos o diagnóstico de diabetes quando a glicemia de jejum fica acima de 126 mg/dl. Entre 100 e 126 mg/dl, é classificada como glicemia alterada ou disglicemia.

Essa redução foi decidida pelas entidades internacionais em função da constatação de que há aumento de doenças circulatórias em indivíduos que apresentam glicemia acima dos 100 mg/dl. Ainda não há posição definida sobre o tratamento nesses casos. Alguns estudos mostram que melhorando o peso, a dieta alimentar e com a prática de exercícios os riscos de ocorrência de doenças circulatórias em pessoas com glicemia de jejum acima de 100 mg/dl é reduzido. Outros estudos utilizaram medicamentos e também obtiveram bons resultados. O critério para o tratamento adequado – com ou sem uso de medicamentos – é definido caso a caso, levando em conta fatores como peso, sedentarismo, tabagismo e histórico familiar.”

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