Colesterol HDL, LDL, VLDL, triglicerídeos... Qual é o colesterol bom? Qual é o colesterol ruim?

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Dr. Alexandre Ferreira

Médico | Endocrinologista CRM 108 116 São Paulo, SP Nível 4
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Muito se ouve falar de sobre o colesterol bom e ruim, pouco se explica sobre o seu real significado.

O colesterol é uma substância gordurosa encontrada em todas as células no nosso corpo. Ele é essencial para a formação das membranas celulares, para a síntese dos hormônios esteroidais como a testosterona, estrogênio, cortisol e outros, para a produção da bile, para digestão de alimentos gordurosos, para formação da mielina (uma bainha que cobre os nervos), para metabolização de algumas vitaminas (A, D, E e K) etc...

O colesterol tem 2 origens: a endógena, ou seja, produzido pelo nosso próprio corpo, principalmente pelo fígado, e a exógena, adquirida através dos alimentos.

Como se trata de uma substância gordurosa, ela não se dissolve no sangue. É igual a gotas de óleo na água. Portanto, para viajar através da corrente sanguínea e alcançar os tecidos periféricos, o colesterol precisa de um transportador. Essa função cabe as lipoproteínas que são produzidas no fígado.

As principais são:

  • VLDL (Very low-density lipoprotein)
  • LDL (Low-density lipoprotein)
  • HDL ( High-density lipoprotein)

O VLDL transporta triglicerídeos e um pouco de colesterol.
O LDL transporta colesterol e um pouco de triglicerídeos.
O HDL faz o caminho inverso, tira colesterol dos tecidos e devolve para o fígado que vai excretá-lo nos intestinos.

Elevadas concentrações de VLDL e o LDL estão associados a deposição de gordura na parede dos vasos, levando a formação de placas. Esse processo é chamado de aterosclerose. Essas placas de gordura diminuem a luz dos vasos. Também causam lesão direta na parede, diminuindo a elasticidade das artérias. Tudo isso favorece a obstrução do fluxo de sangue e do aporte de oxigênio e nutrientes aos tecidos. O resultado final é o infarto, o AVC, a isquemia dos membros etc...

O aumento do colesterol é chamado de dislipidemia.

Enquanto que o LDL e o VLDL levam colesterol para as células e facilitam a deposição de gordura nos vasos, o HDL faz o inverso, promove a retirada do excesso de colesterol, inclusive das placas arteriais.

Por isso, denominamos o HDL como colesterol bom e o VLDL e o LDL como colesterol ruim.

A produção das lipoproteínas é regulada pelos níveis de colesterol. Colesterol derivado de gorduras saturadas e gordura trans favorecem a produção de LDL enquanto que gordura insaturada, encontrada no azeite, peixes e amêndoas, por exemplo, promove a produção do HDL.

Há muito tempo deixamos de valorizar o valor do colesterol total (HDL + LDL + VLDL) e passamos a dar mais atenção aos valores individuais de HDL e LDL.

Veja esses exemplos:
Paciente 1 - LDL 150, HDL 20 e VLDL 20 = colesterol total de 190
Paciente 2 - LDL 100, HDL 65 e VLDL 25 = colesterol total de 190

Pelo que foi explicado até agora, não há dúvidas que o paciente 1 apresenta mais riscos de aterosclerose que o paciente 2 apesar de terem o mesmo nível de colesterol total.

Então quais são os valores de HDL e LDL normais e quais são perigosos?

LDL (colesterol ruim)
Menor que 100 mg/dL - Ótimo
Entre 101 e 130 mg/dL - Normal
Entre 131 e 160 mg/dL - Normal/alto
Entre 161 e 190 mg/dL - Alto
Maior que 190 mg/dL - Muito alto

HDL (colesterol bom)
Menor que 40 mg/dL - Baixo (ruim)
Entre 41 e 60 mg/dL - Normal
Maior que 60 mg/dL - Alto (ótimo)

Uma dieta rica em gorduras insaturadas e pobres em saturadas está indicada para todas as pessoas. O aumento do colesterol LDL está relacionado a fatores genéticos e alimentares. Uma vez que 75% do colesterol é endógeno e apenas 25% vem da alimentação, algumas pessoas não conseguem normalizar os níveis de LDL apenas com dieta e precisam tomar medicamentos. Exercícios físicos também ajudam a elevar o HDL e diminuir o LDL.

A decisão de quando começar os remédios depende dos valores de LDL e HDL , mas também da presença de outros fatores de risco para doença cardiovascular, nomeadamente:

  • Cigarro
  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Insuficiência renal crônica
  • Obesidade e Síndrome metabólica
  • Idade maior que 45 anos.

Quanto mais fatores de risco você tiver, mais baixo deve ser seu colesterol. Grosso modo, podemos resumir da seguinte maneira os alvos:

1 fator de risco - Colesterol LDL menor que 160 mg/dL
2 ou mais fatores de risco - Colesterol LDL menor que 130 mg/dL
Pacientes com alto risco ou com passado de doença coronariana - Colesterol LDL menor que 100 mg/dL

Trabalhos mais recentes começam a sugerir um LDL menor que 80 para pacientes de alto risco. HDL muito baixo também é considerado fator de risco, mesmo com LDL não muito elevado. Já se pode indicar tratamento apenas baseado no seu valor.

Atenção: Colesterol alto não dá cansaço, dor de cabeça, falta de ar, prostração ou qualquer outro sintoma. A dislipidemia é uma doença silenciosa. A única maneira de se saber os níveis de colesterol é através da análise de sangue.

É ruim ter HDL muito alto?

Não. pelo contrário. Algumas pessoas, normalmente mulheres, têm HDL muito elevados, às vezes acima de 100 mg/dL. Isso não indica qualquer doença. Na verdade, são pessoas afortunadas pois apresentam baixo risco de doença cardíaca, principalmente se o LDL for baixo.

E quanto aos triglicerídeos?

A hipertrigliceridemia, nome que se dá ao aumento dos triglicerídeos no sangue, também é fator de risco para aterosclerose, principalmente se associados a níveis baixos de HDL.

Os triglicerídeos estão intimamente ligados ao VLDL e seu valor costuma ser 5x maior. Por exemplo, um indivíduo com VLDL de 30 mg/dL, terá níveis de triglicerídeos ao redor de 150 mg/dL.

Os valores normais de triglicerídeos são:

Até 150 mg/dL = normal
Entre 150 e 199 mg/dL = limítrofe
Entre 200 e 500 mg/dL = elevado
Maior que 500 mg/dL= muito elevado

O tratamento para baixar os triglicerídeos consiste em exercícios aeróbicos regulares, redução de peso e controle da ingestão de carboidratos (massas, doces, refrigerantes...) e álcool.

A dieta associada a prática de esportes é mais bem sucedida na redução dos triglicerídeos do que no colesterol LDL, principalmente no sexo masculino. Enquanto a maioria dos pacientes com colesterol alto acaba precisando de drogas, pacientes disciplinados conseguem controlar seu triglicerídeo sem precisar apelar para medicamentos.

A elevação do colesterol, e principalmente dos triglicerídeos, estão associados à uma maior incidência de acúmulo de gordura no fígado, chamado de esteatose hepática.

Do mesmo modo que a hipercolesterolemia pode ter origem genética, a hipertrigliceridemia também. Existem casos de triglicerídeos maiores que 1000 mg/dL (eu já vi até 4000 mg/dL). Nestes indivíduos o sangue chega a ficar leitoso e existe um alto risco de pancreatite aguda.

Medicamentos usados para o tratamento da dislipidemia:

Todo paciente com colesterol e/ou triglicerídeo elevado deve se submeter a dieta, praticar exercícios físicos regulares e, se estiver acima do peso, emagrecer.

A droga de escolha para redução do LDL e aumento do HDL são as estatinas, também chamadas de inibidores da enzima HMG-coA reductase(enzima do fígado responsável pela produção de colesterol). As estatinas também agem na redução dos triglicerídeos.

As estatinas mais prescritas são:

  • Sinvastatina
  • Atorvastatina
  • Fluvastatina
  • Pravastatina
  • Rosuvastatina
  • Lovastatina

A rosuvastatina e a atorvastatina são as mais fortes e conseguem reduções do colesterol com menores doses. Porém, quando comparamos doses equivalentes, não há diferenças nos resultados entre todas as estatinas. Portanto, a escolha deve ser individual, baseado nas condições econômicas e na adaptação do paciente à droga. Todas são efetivas.

Os principais efeitos colaterais são a dor muscular e as câimbras. Em alguns casos a lesão muscular pode ser séria e indicar a interrupção da droga. Hepatite medicamentosa também pode ocorrer.

Apesar das estatinas agirem nos níveis de triglicerídeos, os fibratos são uma classe com ação mais intensa para esse fim. Os fibratos reduzem os triglicerídeos mas praticamente não interferem no colesterol LDL.

Os fibratos mais usados são:

  • Fenofibrato
  • Benzafibrato
  • Genfibrozil
  • Clofibrato
  • Ciprofibrato

A associação entre fibratos e estatinas deve ser feita com cautela, uma vez que há aumento do risco de lesão muscular com o uso concomitante dessas drogas.

Lembramos que qualquer medicamento acima citado, deve ser prescrito somente por um médico após consulta de avaliação do paciente e análise de exames laboratoriais de rotina.

Fonte: MDSaúde

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Comentários

Volto a salientar a importancia da colocacao de fontes para pesquisa. Nesse artigo e colocado um monte de informacao mas não e citada nenhuma fonte cientifica . Infelizmente essa e a forma que a informacao tem sido propagada, muita coisa e dita mas muito pouca comprovada.

Dr. Alexandre Ferreira

Prezado Antonio,

Bom dia!

Talvez você não tenha notado, porém poderá constatar que ele contém sim a fonte de onde todas as informações do post foram retiradas. A fonte está logo abaixo do post, em forma de link, antes da dica de leitura de outras matérias relacionadas. Basta apenas clicar no link azul onde tem escrito: Fonte: MDSaúde (http://www.mdsaude.com/2008/11/colesterol-bom-hdl-e-colesterol-ruim.html). Lembrando que o link referido, é um blog também escrito por médicos.

Sabemos da total importância de fazer a referência de textos, tanto pela autoria quanto pela qualidade e responsabilidade da informação passada, afinal, como um profissional de saúde, a ética está acima de tudo. Além de postar a fonte, quando existem outras informações disponíveis sobre a fonte, procuro dar os créditos como: informe de datas, nome de quem escreveu a matéria, edição, nome do programa, autoria da foto, entre outros.

De qualquer forma, agradeço sua preocupação, porém, o convido a ler os posts do blog, principalmente dos últimos 4 ou 5 meses que sempre fazem referência à fonte no final dos posts. Costumo compartilhar aqui, notícias relacionadas à endocrinologia, metabologia e tb sobre nutrição, publicadas na mídia, de sites de referência na área de saúde, matérias estas que tem por objetivo: informar, alertar, esclarecer os leitores do blog, porém, nunca substituem uma consulta presencial com um médico, para esclarecimento de quaisquer informações. Informo que no início do blog, alguns textos não trouxeram algumas fontes, porém, corrigiremos tais posts em breve. Lembro também, que alguns textos do blog, são de minha autoria, motivo pelo qual não tem uma fonte externa.

Um abraço e ótima semana!

Dr. Alexandre Ferreira

Caro Alexandre, eu vi a referencia citada, mas como você mesmo falou trata-se de um outro blog e nele não tem nenhuma referencia. Ao postar aqui foi apenas propagada a informação, sem um embasamento cientifico, um questionamento ou algo semelhante. Eu tenho lido diversos trabalhos científicos nessa área, alguns já postei aqui, na tentativa de entender um pouquinho desse complexo mecanismo que e o corpo humano. Minha formação acadêmica e na área de Física mas sempre me despertou interesse a bioquímica envolvida nos processos metabólicos. Mas.acredito que seja muito importante que esse entendimento seja feito a luz de trabalhos de pesquisas cientificas, e mesmo essas pesquisas devem ser questionadas, entendidas no seu contexto e enriquecidas com as opnioes de diversos pesquisadores.