Acne e estresse.

imagem de Neila Almeida

Neila Almeida

Nível 3
1 fã 998 pontos 221554 visitas recebidas

Todas as pessoas desenvolvem mecanismos inconscientes para se dar vazão à energia das tensões que se formam no organismo. É observação comum, e bem conhecida de todos, que, em fases de tensão emocional, adolescentes com acne descarregam essa tensão espremendo os cravos e espinhas do rosto e das costas.Com muita freqüência, isso se torna um hábito como o de roer unhas.

Ao assim agir, a pessoa passa a multiplicar as lesões infeccionadas, transmitindo os germes de um local a outro e aumentando o comprometimento de sua pele. Ela só vê o resultado, pois o ato de espremer é automático.

 

Acne escoriada

 

 

Há mesmo as pessoas que são tomadas de verdadeira compulsão de espremer as espinhas de modo que chegam a provocar ferimentos no rosto, tal a intensidade com que agem e a repetitividade de seu gesto. São geralmente pessoas muito tensas, que encontram nessa atitude uma maneira de aliviar o estresse. Criam, com isso, um quadro bastante impressionante em que, além da presença das alterações típicas da acne, há também verdadeiros ferimentos superficiais da pele. É o que se chama acne escoriada.

Nessa situação, não adianta somente tratar a pele. É preciso incluir algum tipo de psicoterapia ou de reprogramação mental, para que a pessoa aprenda a reduzir a tensão e superá-la com outro comportamento.

 

 

O estresse na gênese da acne

 

A Dra. Monica Polenghi, da Itália, publicou trabalho em que buscou evidências de que a acne poderia ser desencadeada por estresse, personalidade, humor e ativação do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal. Aplicando quatro métodos de avaliação psicológica, verificou que é comum a ocorrência de um evento estressante antes do início de um quadro de acne mais intenso. Também observou que a acne se desenvolve particularmente em pessoas com traços de personalidade depressiva e conformista além de agressividade e, particularmente, ressentimento e irritabilidade.

É óbvio que a acne não é exclusivamente devida a isso. Na sua patogenia estão envolvidos genética, hormônios, enzimas, às vezes fatores alimentares e climáticos. Entretanto, o estresse é um elemento que pode, em certas circunstâncias, tornar-se decisivo.

 

Como o estresse estimula a acne

 

Essa relação tornou-se mais clara com a pesquisa levada a efeito em Berlim, publicada em maio de 2002, na qual foi descoberto que as glândulas sebáceas da pele, componentes do folículo pilo-sebáceo, que é a unidade anatômica onde se desenvolve a acne, possuem receptores para neuropeptídios e são acionadas por uma via equivalente à do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal.

O hormônio de liberação da corticotropina, um mediador segregado pelo hipotálamo e acionado especialmente em situações de estresse, é biologicamente ativo nas células sebáceas e induz um aumento na síntese dos lipídios sebáceos. Esta é uma etapa preliminar na formação da lesão básica da acne, o comedão (cravo).

Essa descoberta esclarece que existe uma razão fisiológica, para que o estresse intensifique a acne. Como em todos os processos psiconeuroimunológicos, o estímulo parte do nível mental, passa pelo hipotálamo e segue pelos mensageiros químicos hormônio liberador da corticotrofina, hormônio adrenocorticotrófico, adrenalina e cortisol.

 

Leia  mais

 

Sem votos