Rosana Aparecida Pereira de Lima.
Andei pensando muito nessa questão. Principalmente, quando me proponho a arrumar os armários. Deparo-me com roupas que não uso e não vou usar mais, roupas que estão fora de moda, e outras rotas. Tiro tudo do lugar. E, se não me ‘policiar’ o bastante, acabo guardando tudo novamente. Vão ficar lá anos a fio, sem serventia para mim e nem para os outros mais necessitados. Egoísmo? Mesquinhez? Não, mania de reter, mania de não confiar no amanhã. E se eu empobrecer de tal maneira que eu não possa comprar outra? E se a moda voltar? E se...? E se...? E por aí afora. Na verdade, estou retendo minhas coisas, cuidando das minhas migalhas. Segurando o que penso ser meu.
O futuro (este eterno desconhecido) é a minha desculpa, também eterna. Domino o que eu penso ter, o que me é conhecido. O desconhecido eu não domino, o desconhecido eu não posso reter, tocar, direcionar. Então, se pudéssemos permaneceríamos sempre no mesmo lugar, sendo exatamente iguais todos os dias. Porque o igual a gente conhece, domina, toma conta e direciona. O desconhecido a gente supõe, imagina, fantasia. E colocamos tantos obstáculos, tantos temores, tantas manias que a barreira que se forma nos deixa tesos, imóveis, sem atitude nenhuma para se dar o primeiro passo e aprendermos o que se esconde, o que se tem para ver, de verdade. E aí, não mudamos; embora a inquietude e a insatisfação nos convidem para tal atitude. Não mudamos, para não termos que nos deparar com o novo. Porque mudar pode significar ter que mexer em tantas e tantas coisas, jogar algumas coisas fora, desfazer-se de antigos conceitos pré-fabricados que passaram a fazer parte de nossa história, de nosso desenvolvimento. Aquilo que, muitas vezes, equivocadamente chamamos de personalidade, de jeito de ser.
__Ah! Eu sou assim mesmo, explosiva; ou __Eu sou assim mesmo chorona, brava, nervosa. É meu jeito de ser, é assim que sou, e ... pronto. Mudar, para quê?
Mudar para ver se você encontra do outro lado da barreira o seu outro ‘eu’. Que se vai conhecer, ver se gosta, se a faz sentir um pouco mais feliz, mais realizada. Mudar para ver se as amarguras tornam-se mais doces, mais tragáveis.
Mudar porque os tempos são de mudanças. Nenhum dia se repete, nenhum dia é como o outro. O que se cria hoje, caduca amanhã.
E o novo pode ser mais verdadeiro, mais interessante, porque nasceu da experiência. Da vivência do dia-a-dia. Não são mais conceitos embutidos, mas pérolas que se encontraram no lodo, nas dificuldades.
O novo é sempre mais animador.
Politicamente também, são muitos os que têm medo de mudanças. Votam sempre nos mesmos candidatos e nos mesmos partidos. Até que um dia por força do próprio universo, as mudanças políticas surgem e percebe-se que as mudanças foram melhores e para melhor.
Não precisamos ter medo de mudanças. Precisamos abraçá-las, compreendendo que isso faz parte da vida. Precisamos sim, é guardar a experiência do velho, para incorporá-lo às novas mudanças. Mas, que o velho em nós sirva apenas como experiência e aprendizado, e não como rótulo eterno.
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