Remédio por conta própria pode matar

Reações alérgicas, hipersensibilidade e alergia aos componentes do remédio. Essas são as reações mais comuns que os brasileiros apresentam ao se automedicar, mas o risco pode ser maior, levando a pessoa a uma intoxicação ou até mesmo a um derrame cerebral. Pior. Se misturar remédio com bebidas, por exemplo, pode acontecer a chamada interação medicamentosa.

Segundo o professor de Farmacologia da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) José Francisco Fracasso, os medicamentos lançados no mercado causam diferentes reações na população. Há pessoas sensíveis a pequenas doses. Já em outras, o remédio só faz efeito em doses maiores.

Na automedicação, pode-se sofrer intoxicação sem saber. Mudar a dose prescrita de um medicamento já é uma forma de se tratar por conta própria. “A mãe que muda a hora certa de medicar o filho por dó de acordá-lo altera o efeito da droga. À noite, a criança tem redução na concentração sanguínea, reduzindo o efeito do remédio e, por isso, há uma demora na cura”, disse o professor.

Mistura perigosa – Alguma parte do corpo dói e você acha que o remédio vai melhorar ou, pelo menos, amenizar a dor. Aí, quando menos se espera, outra dor começa, e mais um remedinho. Resultado: interação medicamentosa no organismo – um remédio passa a alterar os efeitos do outro.

As três principais interações entre os remédios ocorrem da seguinte forma:

- Um dos medicamentos potencializa a ação de outro

- Um remédio pode eliminar o efeito do outro

- A ação de um medicamento altera a absorção do outro, transformando-o no organismo ou o excretando sem que haja a ação desejada.

A interação não é só a combinação de remédios diferentes, mas também com álcool e até mesmo alimentos.  “Se a pessoa tem insônia e toma remédio para dormir, ela não deve tomar bebida alcoólica perto de tomar o medicamento, pois a somatória de efeitos depressivos pode levá-la ao coma”, afirmou Fracasso.

Porém há o outro lado da questão: com um sistema público de saúde que não atende à demanda, o famoso “boca a boca” e a concorrência das farmácias, o brasileiro tem facilidade em adquirir medicamentos sem receita, e acaba por se automedicar.

Postos X Farmácias - Enquanto as farmácias, mesmo com farmacêuticos, vendem a maior parte dos remédios sem prescrição, os postos de saúde que não contam com a presença deles precisam de receita até para a distribuição dos remédios mais básicos, como antiinflamatórios.

E parece que uma coisa leva a outra. De acordo com André Demambre Bacchi, que está no último ano do curso de Farmácia e já trabalhou na área, muitas pessoas não confiam nos medicamentos distribuídos gratuitamente pelos postos de saúde e vão para a farmácia comprar as suas “curas”.

Se por um lado o requerimento da receita nos postos de saúde é positivo, a falta de um especialista para guiar o paciente faz falta.  “O problema da falta do farmacêutico no posto é a falta de orientação, o que muitas vezes leva ao uso incorreto, a não resolução do problema, e o paciente volta ao posto, ou pior, agrava seu problema e vai para hospitais. Isso sobrecarrega ainda mais o sistema”, disse Bacchi.

Já nas farmácias a justificativa é diferente. A população gosta de usar remédios indicados por conhecidos e acredita que isso fará bem também. É o famoso discurso do “minha prima tomou esse remédio e ficou boa na hora”.

Para Bacchi, esse conceito é errôneo, uma vez que, casa pessoa tem uma reação própria aos medicamentos. Por isso os tratamentos são individualizados. Mesmo os remédios naturais podem causar reações adversas - inclusive graves - se forem utilizados de forma incorreta. 

Portanto, por mais atrativo que seja achar que o remédio da TV, o conselho da vizinha, ou até mesmo que a receita antiga vai ter sucesso, pense duas vezes e aja com bom senso para não ter que de fato voltar à farmácia. Desta vez, com uma prescrição médica.
 

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Comentários

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Parabéns HEITOR, na realidade o uso do bom senso deveria ser incentivado, a intoxicação devido a usos inadequados de medicamentos realmente podem causar danos severos, principalmente quanto aos psicofármacos, você pede um para sua comadre e toma, as reações podem ser violentas, apenas com uma dose, elas podem variar de agitação psico motora até convulsões e coma profundo.