Abortamento espontâneo: O que fazer para evitar

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% de todas as gestações são interrompidas de forma espontânea ainda nos primeiros meses. Em parte desses casos, o abortamento ocorre sem que se saiba o motivo. Mas as causas mais comuns podem variar de alterações genéticas do embrião ou do útero a doenças crônicas da mãe, passando por problemas imunológicos, infecções ou doenças autoimunes. Em caso de primeira gravidez, estima-se ainda que uma em cada cinco termine em abortamentos.
 Mas é possível evitar que isso aconteça? Segundo o obstetra Corintio Mariani Neto, diretor técnico do Hospital-Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo (SP), existem fatores de risco. Um deles é a idade materna superior a 40 anos. Outro é o antecedente de abortamento (definição mais correta do processo, segundo o médico, pois a palavra “aborto” denomina apenas aquilo que é eliminado), principalmente de causa não esclarecida, ou de causa esclarecida mas não tratada.

O fumo, o consumo de álcool e drogas e a exposição precoce a radiações também podem causar o problema. De maneira geral, a alimentação não tem qualquer interferência. “Exceto, talvez, em casos de extrema desnutrição materna”, pondera o especialista. “Há, porém, alguma referência na literatura médica de que o abuso de ingestão de cafeína (mais de cinco xícaras por dia) aumentaria a chance de abortamento espontâneo”, complementa.

Os três primeiros meses de gravidez são, como se sabe, o período mais crítico. Por isso, é fundamental que o organismo da mãe, seu útero e sua produção hormonal estejam em ordem, sem qualquer alteração.

“Alguns casos, como a incompetência istmocervical, que é a incapacidade de o colo do útero permanecer fechado, sem dilatação, costumam se manifestar mais tardiamente, já no segundo trimestre da gestação, levando à morte do concepto após a expulsão, por absoluta e extrema imaturidade do seu organismo”, explica o médico.

Não são incomuns os casos em que a mulher sofre abortamento espontâneo logo nos primeiros dias de gestação, sem que ao menos soubesse que havia engravidado. O Dr. Corintio recorda estudo antigo com controle hormonal diário no período fértil que identificou mais de 30% de perdas precoces, das quais dois terços teriam ocorrido antes mesmo da percepção do atraso menstrual. Os dados foram publicados em 1988 na The New England Journal of Medicine, sob o título “Incidence of early loss of pregnancy” (Incidência precoce de perda de gravidez).

Tratamentos

Mas existe algum tipo de tratamento para auxiliar mulheres que já tiveram abortamentos espontâneos sempre que engravidaram? Segundo o obstetra, a resposta é positiva. “É fundamental que se identifique a causa, para que seja instituído o tratamento adequado”, adverte. “Sem saber o motivo das perdas, é muito difícil garantir o sucesso em gestações futuras, mesmo com uso de medicação, hormonal ou não, durante a gravidez”.

Exemplos disso são os casos em que se percebe que há produção hormonal insuficiente. É possível, porém, fazer uma complementação, especialmente nas primeiras semanas de gestação. Desse modo, o prognóstico tem uma sensível melhora.

Às vezes, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para garantir a evolução da gravidez, como acontece na incompetência istmocervical, em que se pratica a cerclagem, que é o “fechamento” do orifício interno do colo do útero com pontos cirúrgicos.

“Quando se detecta uma causa fora da gravidez, é importante que a mulher só engravide após o tratamento adequado”, alerta o médico.

 
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