Sal: A dose certa para a sua saúde!

Sem graça, insossa, com gosto de "nada"... Basta esquecer-se de colocar sal na comida para ouvir essas constatações por todos da mesa. É, não dá para negar que o tempero faz toda a diferença. O problema é que, ao lançar mão do saleiro, a maioria das pessoas capricha na dose. E a história não para aí: por ser um poderoso conservante, o condimento marca presença em inúmeros produtos industrializados. O resultado, como se pode imaginar, é que a quantidade consumida em um dia ultrapassa o limite considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Confira, a seguir, algumas verdades sobre esse coringa da cozinha e descubra como é possível (e fácil!) controlar sua ingestão. Dessa forma, dá para tirar proveito do tempero sem minar a saúde.

O sal é importante à saúde?

Sim. O sódio, mineral constituinte do sal de cozinha, participa de funções básicas do corpo, como a manutenção do equilíbrio da água, contração muscular, impulsos nervosos, ritmo cardíaco, etc.

O sal é um bom conservante de alimentos?

Sim. Na verdade, é um dos mais antigos de que se tem notícia. Apesar de existirem muitos outros atualmente, ele continua desempenhando este papel.

O que é cloreto de sódio?

É o sal de cozinha. Ele é formado por um átomo de cloro e outro de sódio. Quando se fala em sal, normalmente refere-se ao cloreto de sódio. No entanto, existem outros tipos, como o sal marinho, sal kosher e sal de rocha.

É verdade que o sal de cozinha contém iodo?

Sim. O Ministério da Saúde exige que a cada quilo de sal de cozinha sejam adicionados de 40 a 100 miligramas de iodo, mineral importante para a saúde. A deficiência desse nutriente está relacionada a problemas graves, como deficiência mental, alterações nas funções psicomotoras, atraso no crescimento, redução da capacidade de concentração e aprendizado, etc.

Qual a quantidade de sal que pode ser consumida por dia?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 2 gramas de sódio por dia, o equivalente a cerca de 5 ou 6 gramas de sal. Para se ter ideia, esse valor corresponde a aproximadamente uma colher das de chá.

O brasileiro segue essa indicação?

Não. Estudos mostram que o brasileiro ingere o dobro disso, ou seja, em torno 12 gramas por dia.

O que o consumo exagerado pode causar?

Em excesso, o sal pode aumentar os níveis de pressão arterial, gerando um quadro de hipertensão. Se a doença não for tratada corretamente, rins, olhos, coração e até o cérebro podem sofrer danos.

Vale lembrar, entretanto, que para a hipertensão se instalar, é necessário que outros fatores de risco estejam presentes, como predisposição genética.

Uma pessoa hipertensa pode continuar ingerindo sal?

Pode. O sal faz parte do dia a dia como tempero de alimentos. Sem contar que muitas vezes o organismo não tolera bem as dietas isentas de sal. O segredo é ficar atento à quantidade. No caso de hipertensos bem controlados, a recomendação é acrescentar até 4 gramas de sal aos alimentos por dia. Já aqueles com mau controle da doença podem usar 2 gramas nas preparações.

Quem tem pressão baixa pode caprichar no tempero sem preocupação?

Nem pensar. Todas as pessoas, sem exceção, devem controlar o consumo de sal. Além disso, é possível que a causa da pressão baixa nem esteja relacionada ao condimento. E se este for consumido em excesso, outros problemas podem aparecer.

É verdade que muitas vezes come-se sal sem perceber?

Sim. Por se tratar de um conservante, ele é muito utilizado pela indústria alimentícia. Temperos e molhos prontos, salgadinhos de pacote, enlatados e conservas, macarrão instantâneo, sopas prontas, congelados, frios e embutidos, queijos amarelos, carne-seca e bacalhau são exemplos de alimentos carregados de sal. Isso sem falar que alguns aditivos alimentares, como o glutamato monossódico, contêm sódio (componente do sal que aumenta a pressão) em sua composição.

O que é sal light?

Em comparação ao sal de cozinha, o light apresenta um teor menor de sódio, já que este é substituído por outro mineral - na maioria das vezes, o potássio. Se for utilizado em quantidades pequenas, ele pode auxiliar o controle da pressão. Mas, atenção: não se deve usar mais sal nas preparações só porque é light. Outro ponto importante é que devido ao maior teor de potássio, indivíduos com algum tipo de alteração da função renal devem procurar por um médico ou nutricionista antes de consumir o sal light.

Como reduzir a ingestão de sal?

Em primeiro lugar, prefira os alimentos feitos em casa e frescos aos industrializados. Ao preparar as receitas, utilize temperos naturais no lugar dos prontos - assim, você mantém o sabor da comida sem colocar a saúde em risco. Substitua os queijos salgados por aqueles que apresentam menos sal na composição. Outra dica importante: ao ler o rótulo dos alimentos, preste muita atenção no teor de sódio.

O que é salitre?

É o mesmo que nitrato de potássio. Ele pode ser usado para diversas finalidades, entre elas, a produção de pólvora. É possível encontrá-lo em embutidos, já que evita a proliferação da bactéria causadora do botulismo, uma intoxicação alimentar. Por não conter sódio, não influencia no aumento da pressão. Entretanto, pode causar outros problemas, como câncer no estômago. Isso por conta de transformações sofridas pelo nitrato de potássio no intestino. Existe um mito de que alguns restaurantes acrescentam salitre às suas refeições. Contudo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nega o seu uso com este fim.

Há algum problema em consumir sal durante a gravidez?

Nesse período, por conta de um desequilíbrio hidroeletrolítico, é possível que a mulher apresente retenção líquida, culminando em edemas localizados ou generalizados. Para evitar ou controlar esse distúrbio, recomenda-se a redução do consumo de sódio. Esta medida impede, por tabela, a elevação da pressão arterial, muito comum na gestação.

Qual a relação do condimento com o inchaço?

A ingestão excessiva de sódio leva à retenção de líquidos. Como consequência, o corpo fica inchado e mais pesado. Isso sem falar que a água aprisionada entre as células também reduz a eficiência do sistema linfático.

É possível comer doces sem se preocupar?

Nada disso. Por mais curioso que seja, até nesses alimentos o sódio pode marcar presença, já que alguns adoçantes carregam o mineral (caso do ciclamato de sódio).

Sal em excesso prejudica o aparelho respiratório, o coração e a circulação!

Pitadas e mais pitadas de sal são capazes de disparar crises de asma, segundo um estudo publicado no periódico inglês International Journal of Clinical Practice. “O excesso de sódio favorece o broncoespasmo, quando fica difícil respirar”, explica o cientista Timothy Derek Mickleborough, líder do trabalho. “Com esse hábito alimentar, a tendência é de que os brônquios vivam em uma situação de aperto”.

Outro trabalho que acaba de ser publicado saiu na revista científica inglesa British Medical Journal. Assinado por americanos da Universidade Harvard, ele assegura que a redução do tempero é capaz de proteger o coração mesmo dos que não são hipertensos. Para chegar a essa conclusão eles acompanharam 2,4 mil indivíduos durante 15 anos. No início seu consumo médio de sal girava em torno de 10 gramas diários.

Ao longo do tempo, como todos foram devidamente orientados, essa ingestão caiu para 6 gramas em média — e a incidência de problemas cardiovasculares também declinou. Daí a dedução dos pesquisadores: conter o consumo de sal garante uma proteção 25% maior ao peito. Autor do livro A Dieta do Coração, o cardiologista Heno Lopes, do Instituto do Coração, em São Paulo, explica: “Quando há muito sódio na circulação, a passagem do sangue sempre fica dificultada, havendo uma sobrecarga do músculo cardíaco”.

Reduza o sal e evite até o câncer de estômago!

Outro que sai ganhando com a redução de sal é o estômago. Cientistas da Universidade de Ciências da Saúde de Bethesda, em Maryland, nos Estados Unidos, descobriram que a substância colabora para as atividades da Helicobacter pylori, a bactéria por trás da gastrite e da úlcera. “O excesso modifica a estrutura genética do microorganismo, tornando-o mais potente”, explica Cukier. Aliás, o sódio é suspeito de estar por trás do câncer estomocal. “Esses indícios vêm de trabalhos realizados com populações asiáticas que consomem muito do ingrediente e têm esse tumor com freqüência”, conclui.

O excesso de sal e a tireóide!

Para acabar com os casos de bócio, uma disfunção da tireóide que leva a um aumento anormal da glândula, uma regulamentação dos anos de 1950, então sem força de lei, sugeria que o sal de cozinha consumido no Brasil fosse enriquecido com o iodo. "Esse mineral é indispensável para a produção dos hormônios tireoidianos e, na gestação, é fundamental para o desenvolvimento do bebê”, diz o endocrinologista Geraldo Medeiros, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Durante alguns anos essa suplementação foi excessiva. “E iodo demais pode provocar tireoidite”, conta Medeiros. “Por volta de 2004 verificamos o aumento da prevalência desse distúrbio em um estudo realizado na região do ABC paulista”, revela. Em uma década o número de casos quase dobrou. Entretanto, novas regulamentações entraram em vigor recentemente e agora os teores estão dentro dos limites. Mas, que fique claro, quem abusa do sal sempre vai correr o risco de ingerir iodo além da conta.

O sal e os rins!

Tudo o que contribui para elevar a pressão sangüínea pode afetar os rins. Por isso, o sal é o grande vilão. Como danifica vasos de todo o organismo, não poupa os que irrigam as unidades filtrantes, que vão sendo destruídas aos poucos. O máximo permitido por dia são 6 gramas, que equivalem a 1 colher de chá rasa.

Menos sal e muito mais sabor!

No lugar do sal coloque ervas e hortaliças. Elas ajudam seu paladar a enfrentar a fase de adaptação à comida menos salgada.

Alho e cebola
A dupla está lotada de substâncias protetoras das artérias. Mas não vale comprar aqueles potes de tempero que têm sódio na formulação. Prefira os isentos da substância ou esses vegetais in natura.

Limão
Espremer limão na salada é uma forma de acrescentar mais vitamina C no dia-a-dia. A adstringência do fruto ainda ajuda a espantar a vontade de comer sal.

Ervas
Elas têm em sua composição poderosas substâncias que contribuem para o bom funcionamento de todo o organismo. Bote o alecrim nas carnes, a cebolinha no arroz, o coentro na salada, o manjericão nas massas e não se esqueça da pimenta. Abuse da imaginação!

Diminua as pitadas!

Confira algumas dicas para reduzir o consumo de sal no dia a dia.

Ao preparar os alimentos, procure substituir o condimento por temperos naturais. Anote boas opções: cebola, alho, salsinha, cebolinha, sálvia, tomilho, louro, alecrim, açafrão, pimenta, cominho, manjericão, orégano, hortelã, limão, gengibre, coentro, entre outros.

Fuja dos temperos industrializados, como ketchup, mostarda, molho shoyo, caldos concentrados, maionese, etc.

Cuidado com os produtos em conserva (picles, azeitona, aspargo, patês e palmito, por exemplo), enlatados (extrato de tomate, milho e ervilha) e salgadinhos (como batata, amendoim e castanha de caju). Não abuse de alimentos prontos e industrializados.

Evite comer alimentos defumados e processados e carnes salgadas, como bacalhau, charque e carne-seca.

Nunca se esqueça de olhar a quantidade de sódio no rótulo dos alimentos.

Tire o saleiro da mesa, pois a tendência é colocar mais sal na comida já temperada.

Fonte: Revistas Vida Natural e Equilíbrio, Saúde

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