A maior pesquisa já realizada sobre o comportamento sexual do brasileiro acaba de ser concluída pelo Ministério da Saúde. Entre os meses de setembro e novembro de 2008, pesquisadores percorreram as cinco regiões do país para realizar 8 mil entrevistas com homens e mulheres entre 15 e 64 anos.
As informações serão usadas como base na execução e na avaliação da política para a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com o estudo, 77% dessa população (66,7 milhões) teve relações sexuais nos 12 meses que antecederam a pesquisa.
De acordo com José Gomes Temporão, ministro da Saúde, uma novidade é a utilização da Internet como espaço de encontro, o que vai exigir do governo novas estratégias e novas abordagens para lidar com essa realidade. “Em sites de relacionamento, orkut, blogs e outros espaços na rede mundial de computadores o Ministério vai ter de entrar e levar informações, discutir, entrar em debates. Qual é a informação central? Não pode haver relacionamento sem uso de preservativo. O preservativo é a maneira mais segura de se prevenir a infecção com o vírus HIV”, acrescentou.
Temporão salientou que, a cada ano, há 33 mil novos casos de HIV no Brasil e, segundo um estudo recente, a cada dois casos diagnosticados que iniciaram o tratamento, existem cinco outros que não foram ainda diagnosticados.
As principais diferenças de comportamento estão entre homens e mulheres. Veja:
A pesquisa traz ainda recortes por escolaridade e região. Nesses dois casos, não há diferenças estatísticas relevantes.
A disseminação de informação, a educação e a disponibilização gratuita de preservativos serão redobradas, garantiu o ministro. Ele informou também que o ministério está comprando um bilhão de preservativos. “A pesquisa já levanta o alerta de que principalmente os mais jovens estão usando, e as pessoas de mais idade estão usando menos”, disse.
Temporão defendeu, ainda, que o vírus HIV e a Aids não devem ser banalizados. “Isso é um risco sempre presente. À medida que você avança e conquista um patamar diferenciado no tratamento, com o uso do coquetel, o que melhora profundamente não só a sobrevida como a qualidade de vida, há sempre um risco de banalização, de se pensar que essa doença é tratável e que basta tomar o remédio e está tudo bem. Isso não é verdade. Nós sabemos que é muito melhor viver sem a doença do que com a doença”, explicou.
Outra constatação da pesquisa foi que quase metade da população (45,7%) faz uso consistente do preservativo com seus parceiros casuais (usou em todas as relações eventuais nos últimos 12 meses). As principais diferenças estão entre homens e mulheres e por faixa etária. Homens usam mais preservativos que as mulheres em todas as situações. Os jovens são os que mais fazem sexo protegido em relação aos mais velhos.
A população brasileira possui um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e de prevenção da Aids: mais de 95% da população sabe que o uso do preservativo é a melhor maneira de evitar a infecção pelo HIV. O conhecimento é maior entre pessoas de maior escolaridade. Mas mesmo entre aqueles com primário incompleto, o preservativo é bastante conhecido. Além disso, 90% dos brasileiros afirmaram saber que a doença ainda não tem cura.
O Departamento de DST e Aids, responsável pelo estudo, criou um modelo estatístico para analisar as informações da pesquisa e identificou quais são os principais fatores que impactam a adoção do preservativo. Gênero, acesso gratuito à camisinha e quantidade de parcerias casuais são as características mais importantes:
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