Novo tratamento realizado por meio de eletroterapia estimula a região sacral da criança, fazendo com que ela fique curada.
Um estudo randomizado, realizado por brasileiros, mostra que 60% das crianças que havia bexiga hiperativa se curaram com a nova técnica.
Estima-se que 15% das crianças acima de 5 anos são vítimas da enurese diurna, sendo que metade também é vítima de enurese noturna (quando a criança faz xixi na cama).
Geralmente a doença é tratada com medicamentos orais, porém por possuir efeitos colaterais como boca seca e constipação, cerca de 10% das crianças suspendem o uso do medicamento, que possui taxa de cura de 30%.
A nova técnica consiste em estimular com eletrodos as costas, a região lombar e o início das nádegas da criança. Esta estimulação faz com que as áreas do cérebro que são responsáveis pelo reconhecimento da bexiga cheia e o estímulo para urinar sejam ativados.
Com isso, a criança passa inibir o reflexo miccional, deixando de fazer xixi na calça.
O mecanismo da enurese diurna e noturna é diferente.
A enurese noturna é quando a criança não acorda ou possui uma diminuição de um hormônio antidiurético, que absorve água dos rins, fazendo com que a criança produza mais urina.
A enurese diurna é uma contração involuntária da bexiga e com o tempo as crianças se curam.
Para o urologista pediátrico Ubirajara Barroso Júnior, professor da Escola Bahiana de Medicina, autor do estudo, com a enurese diurna as crianças ficam mais inibidas ou agressivas com o tempo.
Barroso Júnior disse que, se o menino, maior de cinco anos, fica pegando no pintinho ou a menina fica espremendo ou apertando a vagina é um sinal de que eles estão segurando a urina por conta de uma contração involuntária da bexiga.
O trabalho será publicado pela "Journal of Urology".
De acordo com o urologista pediátrico Antonio Macedo Junior, professor da Unifesp, o tratamento ainda é novo, porém muito promissor para crianças que fazendo xixi de dia.
O tratamento já está sendo utilizado em seis centros brasileiros.
Segundo o belga Piet Hoebeke, chefe do Departamento de Uropediatria da Ghent University Hospital, o estudo é fantástico, além de ser o primeiro com vigor científico a mostrar o benefício da eletroterapia. “Será uma referência mundial”.
Folha Online