Autoridades sanitárias deverão redobrar nos próximos dias a atenção sobre o comportamento da epidemia de dengue no Brasil. Com a maior movimentação de pessoas no feriado do carnaval, há maior risco de a doença - até agora concentrada em áreas com menor densidade populacional - espalhar-se pelo País. "Há sempre o risco de o carnaval mudar o comportamento da epidemia. Mas só vamos saber se isso ocorreu dias depois do feriado", afirmou o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Giovanini Evelim Coelho.
O verão excepcionalmente quente vivido pelo Brasil em 2010, associado à aproximação do período de chuvas, especialmente no Sudeste e no Nordeste, aumenta o perigo de epidemias de dengue, devido à aceleração do ciclo reprodutivo do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
De acordo com o entomologista Rafael Freitas, da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), o calor reduz em cerca de 40% o tempo que o inseto leva para se desenvolver e chegar à vida adulta, quando se transforma em vetor. “Em uma temperatura de 22º C a 25º C, o desenvolvimento do mosquito leva 14 dias, aproximadamente. De 30º C a 33º C, o tempo pode cair para oito dias”, explicou.
Na cidade do Rio, por exemplo, a temperatura máxima chegou a ultrapassar os 40º C nas últimas semanas. Até agora, porém, a baixa umidade e a falta de chuvas têm reduzido o número de criadouros - o que dificulta a reprodução do Aedes aegypti -, mas o perigo é latente.
Estadão