Saiba mais sobre essa substância e o porquê do aviso "contém glúten" ser tão importante!
Muita gente vai às compras e não sabe bem o porquê do alerta "não contém glúten" escrito às vezes com destaque em vários produtos expostos nas prateleiras dos supermercados.
O aviso, na verdade, é um alerta aos portadores da doença celíaca, uma intolerância a essa substância, encontrada no trigo, na aveia, na cevada, no centeio e no malte (subproduto da cevada), que pode até levar à morte, se não for diagnosticada a tempo.
A doença afeta pessoas geneticamente predispostas e os distúrbios vão desde apatia, emagrecimento e diarréia crônica até doenças mais graves, como osteoporose ou câncer no intestino.
Essa intolerância permanente à proteína de cereais não tem tratamento, a não ser riscar do cardápio para sempre várias guloseimas como bolos, pães, biscoitos, macarrão e outros alimentos fabricados com matéria-prima que contenha glúten.
E a vigilância deve ser rigorosa, pois até traços de glúten são perigosos. Fritar um alimento qualquer e depois utilizar esse óleo para fritar um alimento sem glúten já basta para a contaminação, bem como assar no mesmo forno alimentos com e sem glúten.
Cada um dos cereais utilizados na produção de diversos alimentos, ou em cosméticos, medicamentos e bebidas, tem um nome específico para a substância que tanta intoxicação causa ao organismo dos celíacos. No trigo, por exemplo, a parte prejudical à saúde dos alérgicos é a gliadina, na aveia, a aveína etc. Não há muita variedade, mas no mercado já existem opções para massas sem glúten, como o macarrão feito de arroz.
Só o paciente e seus familiares sabem a importância da inscrição "contém glúten" ou "não contém glúten" no rótulo das embalagens. Pode ser a diferença entre viver e morrer, em casos mais extremos.
Existe até legislação para isso. A Lei 10.674/03 obriga que a indústria de alimentos e dos demais produtos que possam conter a substância, imprima nos rótulos essas duas inscrições, conforme for o caso.
O organismo da pessoa que tem intolerância ao glúten não metaboliza essa substância, que se transforma em algo tipo uma cola e o resultado é uma saturação que provoca o inchaço no abdômen por causa da atrofia da mucosa do duodeno, já que os celíacos não produzem a enzima responsável pela quebra da proteína. A palavra celíaca, de origem grega, quer dizer exatamente isso: ventre abaulado.
Às vezes a doença é detectada logo que a criança começa a ingerir alimentos industrializados feitos com os cereais causadores da doença. Nelas, os sintomas incluem também déficit no crescimento. Na ausência de sintomas, o que pode acontecer, a doença pode levar anos para ser diagnosticada, resultando em cânceres intestinais, osteoporose e anemia.
Cientistas americanos estudam o uso de uma enzima dietética que possa quebrar o fragmento maléfico encontrado no glúten. Os estudos realizados por eles sugerem que futuramente possa surgir um tratamento para a doença.
Existem também pessoas alérgicas ao glúten, ou seja, que são sensíveis a essa substância. A alergia é semelhante à provocada em algumas pessoas por outros alimentos, como camarão, por exemplo. A reação é imediata e podem surgir desde vermelhidões na pele, até impossibilidade de respirar (edema de glote).
Existem suspeitas de que o glúten pode também afetar a vida de pessoas que não são alérgicas ou intolerantes a ele, contribuindo para o aparecimento da depressão, ansiedade, osteoporose, manchas nos dentes, entre outras complicações. Porém, ainda não existem pesquisas confirmando tais hipóteses.
De qualquer maneira, atualmente, além dos celíacos e dos alérgicos ao glúten, muitas outras pessoas também estão procurando substituir alimentos com essa substância por outros livres dela, em busca de uma vida mais saudável.