Câncer de pulmão

O câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos, apresentando um aumento por ano de 2% na sua incidência mundial. Em 90% dos casos diagnosticados está associado ao consumo de derivados de tabaco.

A maioria dos cânceres de pulmão tem início no revestimento dos brônquios e leva anos para se desenvolver. Primeiro, surgem lesões pré-cancerosas no pulmão, que não podem ser detectadas por raios-X e não causam sintomas. Essas alterações, porém, podem ser detectadas por análise de células que revestem as vias respiratórias dos fumantes.

À medida que essas áreas pré-cancerosas se tornam cancerosas, elas passam a produzir substâncias capazes de produzir novos vasos sanguíneos (angiogênese) nas proximidades. São esses novos vasos sanguíneos que vão fornecer nutrientes para as células cancerosas e possibilitar a formação do tumor. Finalmente, o câncer cresce o bastante para ser detectado pelo raio-x. Assim que se forma, as células cancerosas podem se desprender do tumor, viajar pelo organismo e formar outros tumores em outras partes do corpo, um processo chamado metástase. O câncer de pulmão é hoje um dos mais mortais porque costuma se espalhar antes de ser diagnosticado.

O câncer de pulmão, do ponto de vista anatomo-patológico, é classificado em dois tipos principais:

  • Não-pequenas células (85%)
  • Pequenas células

O tumor de células não-pequenas corresponde a um grupo heterogêneo composto de três tipos histológicos principais e distintos: carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células, ocorrendo em cerca de 75% dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão.

Dentre os tipos celulares restantes, destaca-se o carcinoma indiferenciado de células pequenas, com os três subtipos celulares: linfocitóide (oat cell), intermediário e combinado (células pequenas mais carcinoma epidermóide ou adenocarcinoma).

Sintomas e sinais de câncer de pulmão

Embora a maioria dos casos de câncer de pulmão não apresente sintomas antes de se espalhar, alguns sintomas podem ser indicativos.

Sintomas mais comuns do câncer de pulmão:

  • Tosse que não passa;
  • Dor no peito, que geralmente piora quando se respira fundo;
  • Rouquidão;
  • Perda de peso sem motivo;
  • Perda de apetite;
  • Presença de sangue no catarro;
  • Falta de fôlego;
  • Bronquites e pneumonias recorrentes;
  • Respiração pesada e difícil.

Quando o câncer de pulmão se espalha para outros órgãos ele pode causar:

  • Dor nos ossos;
  • Fraqueza ou dormência de braços e pernas;
  • Tontura ou convulsões;
  • Icterícia (que deixa a pele e os olhos com um tom amarelado);
  • Aparecimento de nódulos na superfície do corpo, causados pela disseminação do câncer para a pele ou gânglios linfáticos na região do pescoço e peito

Geralmente esses problemas e sintomas são causados por outros fatores que não o câncer, mas se for um tumor, a detecção precoce pode ajudar o paciente a viver mais. Cabendo ao médico realizar as investigações quando necessárias.

Diagnóstico e detecção precoce do câncer de pulmão

Como a maioria dos cânceres de pulmão em estágio inicial não apresenta sintomas, apenas uma pequena parcela de casos de câncer de pulmão é diagnosticada do início.

Geralmente, a doença é descoberta por acaso, quando o paciente está sendo examinado por outro motivo.

Durante anos, raios-X de tórax e análise microscópica de escarro têm sido avaliados, mas nenhum dos dois é capaz de detectar câncer de pulmão em estágio inicial a ponto de aumentar as chances de cura.

Recentemente, uma nova técnica chamada tomografia computadorizada espiral se mostrou promissora para diagnosticar câncer de pulmão inicial em fumantes e ex-fumantes. O problema é que esse sistema encontra várias lesões que nada têm a ver com câncer, o que resulta em exames e cirurgias desnecessários. Para verificar se esse método oferece alguma vantagem, alguns países estão conduzindo uma pesquisa ampla.

Diante da suspeita de câncer de pulmão, seu médico poderá pedir uma série de exames.

Diagnóstico por imagem

Raios-X de tórax: é o primeiro que o médico pede para checar se há presença de manchas ou massas tumorais. Se o raio-x é normal, você provavelmente não tem a doença. Se houver alguma formação suspeita, sue médico pedirá outros exames.

Tomografia computadorizada: São múltiplas imagens de raios-X, produzidas enquanto a máquina gira em torno do paciente, combinadas por computador, para produzir uma imagem detalhada de uma parte do organismo. Geralmente, depois que as primeiras imagens são feitas, um contraste radiativo é injetado no paciente para definir melhor as estruturas do corpo. Em seguida, nova série de tomadas é feita. O exame é mais demorado que o raio-x convencional e o paciente tem de ficar imóvel numa mesa por cerca de meia hora ou mais. Algumas pessoas ficam um pouco aflitas por causa da sensação de confinamento dentro do equipamento.

Algumas pessoas também são alérgicas ao contraste injetado e podem ter urticárias, uma sensação de calor ou, muito raramente, queda de pressão e dificuldade para respirar. É bom informar ao médico se você já teve reação alérgica a algum contraste, porque há medicamentos que podem evitar o problema.

A tomografia fornece informação precisa sobre tamanho, forma e localização do tumor e pode ajudar a identificar gânglios linfáticos aumentados, já invadidos pela doença. Ela é utilizada também para localizar tumores secundários (metástases) nas glândulas suprarenais, cérebro e outros órgãos internos.

Ressonância magnética (MRI): A ressonância usa ondas de rádio e ímãs fortes em vez de raios-X. A energia das ondas de rádio é absorvida e depois liberada num padrão dado pelo tipo de tecido do corpo e certas doenças. Um computador analisa os dados e os transforma em imagens detalhadas.

O exame dura cerca de uma hora e o paciente fica deitado dentro de um tubo – o que é incômodo para quem sofre de claustrofobia. Além disso, a máquina faz um ruído que irrita algumas pessoas. As imagens da ressonância é particularmente útil para detectar se o câncer de pulmão se espalhou para o cérebro ou coluna.

Tomografia por emissão de positrons (PET): Esse exame usa uma forma radioativa de glicose que é absorvida em grande quantidade pelas células cancerosas e é detectada por uma câmera especial. É um exame importante para casos de câncer de pulmão em estágios iniciais, pode mostrar se a doença atingiu os gânglios linfáticos e definir se uma mancha que apareceu nos raios-X é câncer ou não. Também é útil quando o médico suspeita que o câncer já se espalhou, mas não sabe para quais órgãos.

Cintilografia óssea: neste exame, uma pequena quantidade de um composto radioativo (geralmente difosfonato de tecnécio) é injetada no paciente e essa substância se acumula em áreas dos ossos anormais por vários motivos, entre eles metástase. O exame é feito rotineiramente em pacientes com carcinoma de células pequenas. Nos portadores de câncer de pulmão de não pequenas células ele só é feito quando o médico suspeita de comprometimento dos ossos, mas outros exames não conseguem mostrar a metástase.

Análise de tecidos e células

Alguns destes exames são usados para confirmar ou não se a massa de células detectada nos exames por imagem é um câncer de pulmão, de que tipo de câncer se trata e o quanto ele se espalhou.

Citologia do escarro: uma amostra de escarro (geralmente obtida pela manhã) é examinada ao microscópio para verificar a presença de células cancerosas.

Biópsia por agulha: com a ajuda de um fluoroscópio (aparelho semelhante ao de raios-X, mas que mostra imagem numa tela, em vez de chapa) ou de tomografia, o médico insere uma agulha na direção do tumor e aspira uma amostra de tecido. Depois, a mostra é analisada ao microscópio para ver se há células cancerosas.

Fibrobroncoscopia: neste exame o paciente é sedado e um tubo flexível, com fibras ópticas, o broncoscópio, é introduzido na boca até atingir os brônquios. Ali, a área da lesão suspeita é lavada e uma pequena escova é passada no local. As amostras são analisadas mais tarde em microscópio. Ele ajuda a detectar tumores e pode retirar amostras de tecido ou de secreções pulmonares para posterior análise.

Ultrassom endobronquial: nesta técnica, um emissor e receptor de ultra-som é colocado na ponta do broncoscópio. Isso ajuda a avaliar o tamanho do tumor e a identificar gânglios linfáticos aumentados. Uma agulha fina, guiada pelo ultra-som, também pode ser utilizada para obter amostras dos nódulos.

Ultrassom endoscópico de esôfago: neste caso, o esofagoscópio (tubo usado para examinar o esôfago) recebe um emissor e receptor de ultra-som em sua ponta. O esôfago fica perto de alguns gânglios linfáticos do peito para os quais o câncer de pulmão pode se espalhar. O exame ajuda a identificá-los e permite a inserção de uma agulha fina para obter amostras de tecido desses nódulos.
Mediastinoscopia e mediastinostomia: para os dois procedimentos o paciente recebe anestesia geral.

Na mediastinoscopia, uma pequena incisão (corte) é feita no pescoço e um tubo oco, com luz, é inserido atrás do esterno. Usando equipamento especial através desse tubo, o especialista pode obter amostras dos gânglios linfáticos do mediastino (ao longo da traquéia e dos brônquios). A análise microscópica das amostras mostra se há células cancerosas presentes.

Na mediastinostomia, o cirurgião faz uma pequena incisão no peito ao lado do osso esterno, permitindo que ele alcance nódulos linfáticos inacessíveis através da mediastinoscopia.

Toracocentese e toracoscopia: ambos os procedimentos são realizados para verificar se há acúmulo de líquido ao redor dos pulmões, na pleura, já que isto pode causar infecções e problemas cardíacos. Na toracocentese, uma agulha é introduzida entre as costelas para drenar o líquido – que posteriormente é analisado ao microscópio para ver se contém células cancerosas. O método é usado para remover líquido também, já que seu acúmulo impede que os pulmões se encham de ar. Há testes químicos também que ajudam a distinguir se o acúmulo de líquido é causado por tumor maligno ou outra doença.

Na toracoscopia, um tubo conectado a uma câmera de vídeo é usado para observar o espaço entre os pulmões e a cavidade torácica e para remover amostras de tecido.

Exames de sangue: um hemograma completo mostra se a contagem de suas células sanguíneas está normal ou se você está com anemia, por exemplo. Exames de sangue regulares são importantes para quem faz quimioterapia, já que esse tratamento afeta temporariamente as células da medula que dão origem às células do sangue.Há exames que revelam alterações químicas, indicando que o câncer se espalhou para o fígado ou ossos. Níveis elevados no sangue de uma substância chamada lactato dehidrogenase (LDH) geralmente indicam que não são boas as chances de cura e sobrevivência no longo prazo.

Diagnóstico Clínico e Patológico

Os sintomas mais comuns do câncer de pulmão são a tosse e o sangramento pela via respiratória. Nos fumantes, o ritmo habitual da tosse é alterado e aparecem crises em horários incomuns para o paciente. Além disso, uma pneumonia de repetição pode, também, ser a apresentação inicial da doença.

A maneira mais fácil de diagnosticar o câncer de pulmão é através de um raio-X do tórax complementado por uma tomografia computadorizada. A broncoscopia (endoscopia respiratória) deve ser realizada para avaliar a árvore traquebrônquica e, eventualmente, permitir a biópsia. É fundamental obter um diagnóstico de certeza, seja pela citologia ou patologia.

Uma vez obtida a confirmação da doença, é realizado o estadiamento que avalia o estágio de evolução, ou seja, verifica se a doença está restrita ao pulmão ou disseminada por outros órgãos. O estadiamento é feito através de vários exames de sangue e radiológicos, como dosagens enzimáticas e ultrassonografia, respectivamente.

Fatores de risco para o câncer de pulmão

Independentemente do tipo celular ou subcelular, o tabagismo é o principal fator de risco do câncer pulmonar, sendo responsável por 90% dos casos. Outros fatores relacionados são certos agentes químicos (como o arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, níquel, cádmio e cloreto de vinila, encontrados principalmente no ambiente ocupacional), fatores dietéticos (baixo consumo de frutas e verduras), doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos (que predispõem à ação carcinogênica de compostos inorgânicos de asbesto e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos) e história familiar de câncer de pulmão.

Prevenção do câncer de pulmão

A mais importante e eficaz prevenção do câncer de pulmão é a primária, ou seja, o combate ao tabagismo. A ação permite a redução do número de casos (incidência) e de mortalidade.

Tratamento do câncer de pulmão

Do ponto de vista terapêutico existem três alternativas: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Estes métodos podem ser associados para obter o melhor resultado. Tumores restritos ao pulmão devem ser operados e removidos – estágios I e II, com chance de cura de até 75%. Nos outros estágios, uma associação de quimio e radioterapia, com eventual resgate cirúrgico, é a abordagem que mostra os melhores resultados, com uma chance de cura de 30%.

No estágio IV a quimioterapia é o tratamento de escolha, porém as chances de cura são extremamente reduzidas. Até o momento não existe benefício comprovado com imunoterapia. Os pacientes operados se beneficiam de quimioterapia complementar, dita adjuvante, que reduz as chances de reaparecimento da doença, com exceção naqueles cujo estadiamento é muito inicial (IA e IB).
 

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