O uso abusivo de remédios prescritos cresce rapidamente no mundo todo, e o número de dependentes em medicamentos já supera o de usuários de cocaína, heroína e ecstasy combinados. O alerta foi feito pela Junta Internacional de Fiscalização a Entorpecentes (Jife), da ONU.
As pessoas tendem a achar que o abuso de medicamentos prescritos é apenas um uso inadequado de substâncias para tratar problemas de saúde. Mas estes comportamentos podem ser tão prejudiciais quanto a dependência de drogas como a heroína ou a cocaína.
A Jife afirmou que a morte de diversas celebridades no ano passado, como o cantor Michael Jackson, chamaram a atenção para o uso exagerado de remédios prescritos. Nos Estados Unidos 6,2 milhões de pessoas abusaram de medicamentos em 2008, perdendo em número apenas para o consumo de maconha.
Os medicamentos mais abusados são os analgésicos opióides, os tranquilizantes e os estimulantes, nesta ordem. Em comum, estes remédios tem a tarja preta e a necessidade de prescrição médica (a receita fica retida na farmácia).
A tendência, contudo, está se espalhando por todo o mundo nos últimos anos, segundo Hamid Ghodse, diretor do Centro Internacional de Política de Drogas da Universidade St George, em Londres, e um dos autores do relatório.
"O abuso precisa ser combatido urgentemente", alerta Ghodse, que ressaltou a dificuldade em se conseguir dados sobre o uso abusivo de farmacêuticos, que é um "problema escondido".
O relatório afirma que, na Alemanha, entre 1,4 milhão e 1,9 milhão de pessoas são viciadas neste tipo de droga. Já no Canadá, entre 1% e 3% da população abusam dos chamados opioides.
Em vários países europeus --como França, Itália, Lituânia e Polônia-- a porcentagem de estudantes que revela usar sedativos ou tranquilizantes fica entre 10% e 18%.
O consumo é alimentado, segundo a Jife, é por farmácias ilegais na internet que vendem remédios roubados por todo o mundo. A Jife pediu aos países que monitorem mais de perto as farmácias on-line ou que as fechem. O uso indiscriminado também encontra aliados no acompanhamento médico irregular e no comércio ilegal de medicamentos.
Com informações da Agencia de Notícias Reuters