Segundo J.V.R. Prasada Rao, diretor regional da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) de combate à Aids (Unaids) para a Ásia e o Pacífico, a decisão de uma corte da Índia de descriminalizar as relações homossexuais intensificará a luta contra a Aids, mas um forte estigma contra a homossexualidade e a desigualdade dentro do sistema de saúde prejudicarão os esforços.
A Alta Corte de Délhi invalidou uma antiga lei herdada do período colonial britânico que proibia o sexo entre homossexuais, para a felicidade dos ativistas e funcionários da área de saúde e para a preocupação de alguns líderes religiosos.
Na Índia, que abriga ao menos 2,5 milhões de pessoas infectadas pelo HIV entre seus mais de 1,1 bilhão de habitantes, o preconceito contra homossexuais e pessoas com Aids provavelmente continuará prejudicando muitos pacientes em busca de tratamento.
"Isso fará diferença, não da noite para o dia, mas certamente ao longo do tempo. Essa ainda é uma comunidade que permanece às escondidas, eles não vêm aos centros de tratamento por causa do estigma ligado a isso", disse o diretor regional da Unaids, que acrescentou que os serviços médicos da Índia permanecem desiguais.
Para Rao, o veredicto poderia servir de sugestão para outros países, incluindo ex-colônias britânicas como Paquistão, Bangladesh e Sri Lanka, que proíbem as relações homossexuais.
Reuters